{"id":2633,"date":"2022-06-22T13:14:00","date_gmt":"2022-06-22T16:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/genomaa.com.br\/pt-br\/?p=2633"},"modified":"2024-01-18T15:54:43","modified_gmt":"2024-01-18T18:54:43","slug":"caminhos-para-uma-floresta-em-pe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/genomaa.com.br\/pt-br\/caminhos-para-uma-floresta-em-pe\/","title":{"rendered":"Caminhos para uma floresta em p\u00e9"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"579\" src=\"https:\/\/genomaa.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DJI_0700-2.webp\" alt=\"\" class=\"wp-image-2639\" srcset=\"https:\/\/genomaa.com.br\/pt-br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DJI_0700-2.webp 900w, https:\/\/genomaa.com.br\/pt-br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DJI_0700-2-200x129.webp 200w, https:\/\/genomaa.com.br\/pt-br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/DJI_0700-2-280x180.webp 280w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Por Alexsandro Vanin e Fernanda Pereira*<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia segue em ritmo forte. De acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia (Imazon), depois de uma perda recorde de mata nativa em abril (1.197 km\u00b2, 54% a mais do que o registrado no mesmo m\u00eas em 2021), foram devastados outros 1.125 km\u00b2 em maio \u2013 31% a mais do que no mesmo m\u00eas no ano anterior. Com isso, o acumulado dos primeiros cinco meses de 2022 (3.360 km\u00b2) \u00e9 o maior registrado para o per\u00edodo desde 2008, quando o Imazon come\u00e7ou a monitorar a floresta por imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n\n\n\n<p>O n\u00famero \u00e9 preocupante, pois al\u00e9m de estarmos no in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o seca na Amaz\u00f4nia, que se estende de maio a outubro, \u00e9 ano de elei\u00e7\u00f5es, quando geralmente ocorre um aumento do desmatamento. A previs\u00e3o da plataforma de intelig\u00eancia artificial PrevisIA \u00e9 de que cerca de 15.400 km\u00b2 sejam desmatados em 2022, a maior \u00e1rea de floresta derrubada dos \u00faltimos 16 anos. Mas qual \u00e9 a solu\u00e7\u00e3o para refrear a devasta\u00e7\u00e3o da Floresta Amaz\u00f4nica e evitar que tal cen\u00e1rio se concretize?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta para a pergunta n\u00e3o \u00e9 simples, pois o problema \u00e9 complexo. O desmatamento n\u00e3o est\u00e1 ligado apenas a explora\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio ilegal de madeiras: a atua\u00e7\u00e3o de grileiros e garimpeiros, ca\u00e7adores e pescadores clandestinos e at\u00e9 mesmo atividades l\u00edcitas, como a expans\u00e3o da agropecu\u00e1ria, por exemplo, contribuem para a destrui\u00e7\u00e3o crescente na Amaz\u00f4nia \u2013 sem contar a influ\u00eancia do tr\u00e1fico internacional de drogas e armas na regi\u00e3o, evidenciada recentemente pelo assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dominic Phillips. Boicotar a madeira amaz\u00f4nica, portanto, \u00e9 uma medida in\u00f3cua que ainda pode acarretar a ado\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas n\u00e3o renov\u00e1veis e menos sustent\u00e1veis, a compra de madeira de pa\u00edses com sistemas de controle ainda menos seguros, e a abertura de espa\u00e7o para o avan\u00e7o de atividades ainda mais danosas ao ecossistema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Norte de solu\u00e7\u00f5es<\/strong><br>Uma solu\u00e7\u00e3o exige a atua\u00e7\u00e3o em diversas frentes, tendo como base um modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico e social para a Amaz\u00f4nia alinhado com a conserva\u00e7\u00e3o da floresta. Abrange desde a ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas de baixo impacto na agropecu\u00e1ria at\u00e9 o incentivo aos neg\u00f3cios da bioeconomia e Servi\u00e7os Baseados na Natureza (SbN), passando pelo fortalecimento das comunidades tradicionais e povos origin\u00e1rios nas cadeias de valor do extrativismo e outras atividades. Combina empreendedorismo, com\u00e9rcio justo, conhecimento cient\u00edfico, sabedoria tradicional, inova\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de tecnologias para valoriza\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Exige controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso da madeira, por exemplo, o manejo florestal corretamente aplicado garante a gest\u00e3o sustent\u00e1vel de recursos, contribuindo para a conserva\u00e7\u00e3o do ecossistema e a preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Modernas t\u00e9cnicas permitem extrair madeira com o m\u00ednimo de impacto negativo, e as certifica\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias asseguram a ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas socioambientais. Al\u00e9m disso, a presen\u00e7a de trabalhadores na mata ajuda a inibir a sua invas\u00e3o. Apoiar e motivar o engajamento respons\u00e1vel do setor privado por meio de concess\u00f5es de florestas p\u00fablicas \u2013 onde mais da metade do desmatamento em 2021 ocorreu \u2013 \u00e9 um caminho que deve ser seguido em conjunto com o fortalecimento do controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o dos processos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o as falhas nos servi\u00e7os de monitoramento e controle florestal, somadas a fragilidades nos sistemas de rastreabilidade e due diligence, que permitem a introdu\u00e7\u00e3o parte da madeira de origem ilegal no mercado. Al\u00e9m dos danos ao meio ambiente, isso traz preju\u00edzos econ\u00f4micos ao setor devido \u00e0 competi\u00e7\u00e3o desleal e \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da imagem. Para trazer mais seguran\u00e7a e credibilidade ao mercado, algumas inova\u00e7\u00f5es nos m\u00e9todos de controle foram apresentados ao p\u00fablico da Carrefour International du Bois 2022, a maior feira internacional do setor madeireiro, realizada em Nantes, na Fran\u00e7a, no in\u00edcio de junho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>M\u00e9todos de controle<\/strong><br>Em comum, as solu\u00e7\u00f5es s\u00e3o baseadas em t\u00e9cnicas de an\u00e1lise direta da madeira, e n\u00e3o apenas na an\u00e1lise de documentos. Algumas visam identificar a esp\u00e9cie, como as an\u00e1lises de anatomia da madeira ou o uso de frequ\u00eancias de onda no infravermelho pr\u00f3ximo, mas n\u00e3o indicam a origem. Outras ajudam a determinar a origem mas n\u00e3o a esp\u00e9cie, no caso da an\u00e1lise de is\u00f3topos, e com resolu\u00e7\u00e3o espacial limitada, dado que depende do gradiente gerado pelo pr\u00f3prio ambiente \u2013 o que n\u00e3o evitaria a mistura de madeira de \u00e1reas muito pr\u00f3ximas. J\u00e1 o sistema por perfilamento gen\u00e9tico individual (DNA profiling) permite a comprova\u00e7\u00e3o da origem da madeira desde sua fonte prim\u00e1ria \u2013 a \u00e1rvore.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta solu\u00e7\u00e3o \u00e9 brasileira e vem sendo aprimorada por meio de uma parceria entre a Coopera\u00e7\u00e3o Alem\u00e3 para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel, por meio da Deutsche Gesellschaft f\u00fcr Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH, e o cons\u00f3rcio formado pelas empresas GenomaA Biotech, BRFLOR e Blue Timber Florestal. De forma similar a an\u00e1lises forenses e testes de paternidade em humanos, por exemplo, cada \u00e1rvore \u00e9 tratada como um indiv\u00edduo, e tem seus dados e seu perfil gen\u00e9tico associados a um sistema de gerenciamento de informa\u00e7\u00f5es de origem. Ou seja, o perfil gen\u00e9tico individual passa a ser uma camada a mais de informa\u00e7\u00e3o, aumentando a seguran\u00e7a da origem e permitindo a verifica\u00e7\u00e3o em qualquer ponto da cadeia da madeira s\u00f3lida.<\/p>\n\n\n\n<p>O tema tamb\u00e9m ser\u00e1 debatido no 9\u00ba Congresso Florestal Brasileiro, que ocorre de 12 a 15 de julho de 2022. \u201cSistemas e solu\u00e7\u00f5es para monitoramento do uso de produtos florestais\u201d \u00e9 uma das sess\u00f5es t\u00e9cnicas do evento promovido pela Sociedade Brasileira de Engenheiros Florestais (SBEF) e pela Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS), que busca colocar em discuss\u00e3o o uso sustent\u00e1vel e a conserva\u00e7\u00e3o das florestas com desenvolvimento social e econ\u00f4mico.<\/p>\n\n\n\n<p><em>* Alexsandro Vanin \u00e9 L\u00edder de Comunica\u00e7\u00e3o da TMNH Holding e Fernanda Pereira \u00e9 L\u00edder de Pesquisa e Desenvolvimento na GenomaA Biotech<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexsandro Vanin e Fernanda Pereira* A destrui\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia segue em ritmo forte. 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